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Novo teto do MEI e do Simples Nacional: votação é adiada por impacto fiscal

A votação das propostas que discutem o aumento do limite de faturamento do Microempreendedor Individual e a revisão das faixas do Simples Nacional não foi concluída antes do recesso parlamentar.

A análise foi postergada em meio à falta de consenso sobre o impacto que os novos limites poderiam provocar na arrecadação federal, estadual e municipal. Em 6 de agosto de 2026, o Projeto de Lei Complementar nº 108/2021 continuava sob análise de uma comissão especial da Câmara dos Deputados, ainda sem parecer final aprovado.

Isso significa que nenhum dos novos valores discutidos no Congresso está valendo. O limite anual do MEI permanece em R$ 81 mil. Para o Simples Nacional, continuam vigentes os limites de R$ 360 mil para microempresa e R$ 4,8 milhões para empresa de pequeno porte.

Por que a votação do novo teto do MEI foi adiada?

O principal obstáculo é a necessidade de estimar e acomodar o impacto fiscal da mudança.

Quando o teto do MEI aumenta, profissionais que poderiam ser desenquadrados e passar a recolher tributos como microempresa permanecem por mais tempo no regime simplificado. Sob a perspectiva orçamentária, essa permanência pode reduzir a arrecadação projetada.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que seria necessário verificar se as contas públicas suportariam a alteração antes da votação. Segundo ele, o aumento precisaria ser construído por meio de diálogo entre Congresso e governo.

A discussão não envolve apenas o MEI. O relator do PLP nº 108/2021 também defende a revisão das faixas das microempresas e empresas de pequeno porte, o que amplia significativamente o alcance financeiro da proposta.

A votação foi cancelada?

Não.

O projeto continua em tramitação na Câmara dos Deputados. O que ocorreu foi a postergação da conclusão do debate e da votação para depois do recesso parlamentar.

Até 6 de agosto de 2026, o PLP nº 108/2021 permanecia na comissão especial criada para analisar o novo enquadramento do MEI. A página oficial da Câmara ainda não apresentava parecer final da comissão.

Portanto, é mais correto afirmar que a votação foi adiada, e não que o aumento foi rejeitado ou abandonado.

Qual proposta aumenta o teto do MEI para R$ 130 mil?

O PLP nº 108/2021, aprovado anteriormente pelo Senado Federal, propõe elevar o limite anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 130 mil.

O texto também autoriza a contratação de até dois empregados. Pela regra atual, o MEI pode manter apenas um empregado, observados o salário mínimo ou o piso da categoria e as demais exigências trabalhistas.

Como a proposta ainda está sendo analisada pela Câmara, o limite de R$ 130 mil não pode ser usado no planejamento do faturamento de 2026.

Caso a Câmara altere o texto aprovado pelo Senado, a matéria poderá precisar retornar aos senadores antes de seguir para sanção presidencial.

De onde surgiu o teto de R$ 140 mil?

O valor de R$ 140 mil aparece no PLP nº 186/2026, apresentado pelo Poder Executivo em junho de 2026.

A proposta do governo estabelece um reajuste progressivo:

AnoLimite proposto para o MEI
Regra vigente em 2026R$ 81 mil
Proposta para 2027R$ 110 mil
Proposta para 2028R$ 140 mil

O projeto também permite a contratação de até dois empregados.

O PLP nº 186/2026 começou a tramitar junto às discussões do PLP nº 108/2021, mas também não foi aprovado. Em 6 de agosto de 2026, sua ficha de tramitação registrava apenas a apresentação da proposta e requerimentos para que projetos relacionados fossem analisados em conjunto.

Por isso, não é correto afirmar que o MEI já pode faturar R$ 110 mil, R$ 130 mil ou R$ 140 mil.

Qual é o impacto fiscal estimado pelo governo?

Para o aumento progressivo proposto no PLP nº 186/2026, o governo apresentou a seguinte estimativa:

ExercícioImpacto fiscal estimado
2027R$ 1,57 bilhão
2028R$ 3,15 bilhões
2029R$ 3,38 bilhões
Total aproximadoR$ 8,10 bilhões

A proposta condiciona a ampliação do limite à previsão da renúncia de receita nas respectivas Leis Orçamentárias Anuais.

Esse condicionamento ajuda a explicar por que o projeto não depende apenas da aprovação política. Uma ampliação de benefício tributário precisa ser acompanhada de estimativas orçamentárias e medidas compatíveis com a legislação fiscal.

Por que as estimativas de impacto podem variar tanto?

Existem diferentes textos e diferentes amplitudes em discussão.

Uma proposta pode atualizar apenas o limite do MEI. Outra pode alterar o limite do MEI, permitir um segundo empregado e atualizar todas as faixas das microempresas e empresas de pequeno porte.

Quanto maior o número de empresas que permanecerem em regimes favorecidos, maior tende a ser o impacto inicial projetado sobre a arrecadação.

Um estudo técnico produzido no âmbito da Câmara avaliou versões anteriores do PLP nº 108/2021 e concluiu que a ampliação do MEI, das microempresas e das empresas de pequeno porte poderia gerar redução relevante de arrecadação. O próprio documento ressalta que suas conclusões são de responsabilidade dos autores e dependem do texto analisado.

Portanto, não existe um único número aplicável a todas as propostas. O impacto final dependerá dos limites aprovados, do início da vigência, das regras de transição e das medidas de compensação.

O Simples Nacional também terá um novo teto?

Ainda não existe um novo teto aprovado.

O PLP nº 108/2021 foi originalmente apresentado para tratar principalmente do MEI. Durante a análise na Câmara, porém, o relator passou a defender uma revisão mais ampla do Simples Nacional.

Entre os valores discutidos publicamente estão:

CategoriaLimite vigenteValor defendido em debates
MEIR$ 81 milEntre R$ 130 mil e R$ 140 mil
MicroempresaR$ 360 milAproximadamente R$ 800 mil
Empresa de pequeno porteR$ 4,8 milhõesAproximadamente R$ 8 milhões

Esses valores ainda fazem parte de negociações e não representam o conteúdo de uma lei aprovada.

O relator também defende a atualização das seis faixas do Simples Nacional. Isso é importante porque aumentar apenas o teto máximo, sem revisar as faixas intermediárias e as parcelas a deduzir, pode criar distorções na tributação efetiva das empresas.

Quais limites continuam valendo em 2026?

Enquanto o Congresso não aprovar uma nova lei complementar, os limites atuais permanecem obrigatórios.

EnquadramentoReceita bruta anual vigente
Microempreendedor IndividualAté R$ 81 mil
MicroempresaAté R$ 360 mil
Empresa de pequeno porteAcima de R$ 360 mil e até R$ 4,8 milhões
Sublimite de ICMS e ISS em 2026R$ 3,6 milhões

O sublimite de R$ 3,6 milhões aplica-se, em 2026, aos estabelecimentos localizados em todos os estados e no Distrito Federal. Quando a empresa ultrapassa esse valor, pode continuar no Simples Nacional até o teto geral, mas passa a observar regras específicas para recolhimento de ICMS ou ISS fora do DAS.

O MEI já pode considerar o novo limite no faturamento?

Não.

O empreendedor deve continuar considerando o teto anual de R$ 81 mil.

O limite corresponde à receita bruta da atividade econômica. Ele inclui vendas e serviços realizados pelo MEI, ainda que o pagamento tenha ocorrido por Pix, transferência, cartão, dinheiro ou outro meio.

Salários recebidos em emprego, empréstimos, doações e simples transferências entre contas próprias não compõem o faturamento do MEI.

Para o MEI aberto durante o ano, o limite é proporcional ao número de meses de atividade. A referência é de R$ 6.750 por mês, contando o mês de abertura.

Um MEI aberto em julho de 2026, por exemplo, terá seis meses de atividade no ano e limite proporcional de R$ 40.500.

O que acontece se o MEI ultrapassar os R$ 81 mil?

O tratamento depende do valor excedido.

Quando o faturamento supera o limite em até 20%, o empreendedor normalmente permanece como MEI até o encerramento do ano, mas precisa comunicar o desenquadramento e recalcular os tributos devidos conforme as regras aplicáveis.

Quando o excesso é superior a 20%, os efeitos podem retroagir ao início do ano-calendário ou à data de abertura, conforme o caso.

O ponto crítico é que uma proposta em tramitação não impede o desenquadramento pelas regras atuais. Uma eventual lei futura também pode não produzir efeitos retroativos.

Quem está próximo do teto deve planejar a transição antes de ultrapassá-lo.

O que muda para microempresas próximas dos R$ 360 mil?

A microempresa que ultrapassa R$ 360 mil não é automaticamente excluída do Simples Nacional.

Ela passa da classificação de microempresa para empresa de pequeno porte, desde que permaneça dentro do teto geral e atenda às demais condições legais.

Apesar disso, o crescimento do faturamento pode elevar a alíquota efetiva, mudar a faixa utilizada no cálculo e aumentar o valor mensal do DAS.

A análise deve considerar:

• Receita acumulada nos últimos 12 meses
• Anexo tributário da atividade
• Folha de pagamento
• Fator R
• Segregação das receitas
• Tributação monofásica
• Substituição tributária
• Retenções
• Sublimites de ICMS e ISS

Portanto, aumentar os limites não significa necessariamente reduzir impostos. Tudo dependerá das faixas, alíquotas e parcelas a deduzir que forem aprovadas.

O que muda para empresas próximas de R$ 3,6 milhões?

Em 2026, o sublimite para recolhimento de ICMS e ISS dentro do Simples Nacional é de R$ 3,6 milhões em todos os estados e no Distrito Federal.

Uma empresa pode faturar mais de R$ 3,6 milhões e permanecer no Simples Nacional até o teto de R$ 4,8 milhões. Entretanto, poderá precisar recolher ICMS ou ISS fora do DAS.

Esse efeito pode aumentar a complexidade operacional e alterar:

• Fluxo de caixa
• Precificação
• Margem de lucro
• Obrigações acessórias
• Escrituração fiscal
• Emissão de documentos
• Aproveitamento de créditos pelos clientes

Empresas próximas desse limite não devem esperar a votação do novo teto para avaliar seus cenários.

Atualizar o teto é renúncia fiscal ou correção da inflação?

As duas interpretações aparecem no debate.

O setor empresarial argumenta que os limites estão defasados e que parte do crescimento nominal do faturamento decorre apenas da inflação. Sob essa perspectiva, a atualização evitaria que empresas fossem desenquadradas sem terem apresentado crescimento real.

O governo reconhece a necessidade de atualizar o teto do MEI e sustenta que o limite de R$ 140 mil em 2028 se aproxima da recomposição monetária do valor estabelecido anteriormente.

Ao mesmo tempo, manter mais contribuintes em um regime de tributação favorecida pode reduzir a arrecadação que ocorreria com o desenquadramento.

A atualização pode, portanto, funcionar como correção inflacionária para o empreendedor e produzir impacto orçamentário para o poder público.

Perspectiva técnica

O debate não deveria se limitar à escolha entre R$ 130 mil ou R$ 140 mil.

O problema estrutural é a ausência de um mecanismo periódico de atualização. Quando os limites ficam congelados durante vários anos, a inflação aumenta o faturamento nominal e empurra empresas para faixas superiores, mesmo sem crescimento proporcional da margem.

Já existe outra proposta aprovada em comissão da Câmara que prevê a correção anual do limite do MEI pelo INPC, mas ela também continua em tramitação.

Sem uma regra permanente, qualquer novo teto corre o risco de voltar a ficar defasado.

Empresas de Brasília e do Distrito Federal devem esperar a votação?

Não.

MEIs e empresas do Simples Nacional localizados em Brasília devem trabalhar com os limites vigentes.

Para negócios próximos de R$ 3,6 milhões, o planejamento é ainda mais importante, porque o valor é o sublimite aplicável ao ICMS e ao ISS no Distrito Federal em 2026.

Empresas de serviços, comércio ou operações mistas precisam simular:

• Valor do DAS nas próximas faixas
• Recolhimento de ICMS ou ISS fora do Simples
• Possibilidade de desenquadramento
• Comparação com Lucro Presumido
• Efeitos da Reforma Tributária
• Impacto sobre preços e contratos
• Necessidade de adequação dos sistemas fiscais

O fato de existir uma proposta de aumento não elimina as obrigações atuais.

Quem está perto do limite deve fazer o quê?

Controlar o faturamento acumulado

A empresa precisa conhecer a receita bruta acumulada no ano e nos últimos 12 meses.

Não basta observar o saldo bancário. Empréstimos, transferências e aportes não são faturamento, enquanto vendas e serviços continuam sendo receita mesmo quando recebidos sem emissão correta da nota fiscal.

Projetar os próximos meses

O controle deve incluir contratos assinados, serviços em andamento, vendas parceladas, sazonalidade e expectativa de receita até dezembro.

Simular o desenquadramento

O MEI deve comparar o custo atual com o custo de uma microempresa.

Empresas próximas do teto do Simples devem comparar o regime com Lucro Presumido e, quando aplicável, Lucro Real.

Revisar preços e margens

Uma mudança de regime pode elevar impostos, custos contábeis e obrigações administrativas.

Se esses efeitos não forem considerados na precificação, o crescimento do faturamento pode vir acompanhado de redução da margem.

Não interromper vendas artificialmente

Recusar clientes ou adiar notas apenas para permanecer em um enquadramento pode prejudicar o negócio e gerar inconsistências fiscais.

A melhor saída é planejar a transição, não esconder o crescimento.

Perguntas frequentes sobre o novo teto do MEI

O limite do MEI já aumentou em 2026?

Não. O limite vigente permanece em R$ 81 mil por ano.

O teto de R$ 130 mil foi aprovado?

O valor foi aprovado pelo Senado no PLP nº 108/2021, mas ainda depende da conclusão da análise e da votação na Câmara.

O teto de R$ 140 mil está valendo?

Não. O PLP nº 186/2026 propõe R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, mas ainda não foi aprovado.

O Simples Nacional já aumentou para R$ 8 milhões?

Não. O valor de R$ 8 milhões foi defendido pelo relator durante os debates, mas ainda não existe lei aprovada com esse novo limite.

Por que a votação foi adiada?

A principal razão apontada foi a necessidade de aprofundar a análise do impacto fiscal e construir um acordo entre governo, Congresso e representantes dos pequenos negócios.

Existe data definida para a votação?

Até 6 de agosto de 2026, não havia data oficial definitiva para a conclusão do parecer e a votação do projeto.

Quem está próximo dos R$ 81 mil deve esperar?

Não. O planejamento deve considerar o limite vigente, pois a proposta pode ser alterada, adiada novamente ou produzir efeitos apenas em exercícios futuros.

O adiamento não muda as regras atuais

O aumento do teto do MEI conta com apoio político relevante, mas ainda depende da construção de um texto que atenda às exigências orçamentárias.

Também existe pressão para que a atualização alcance microempresas e empresas de pequeno porte, evitando que apenas uma categoria do Simples Nacional seja beneficiada.

Enquanto não houver aprovação, sanção e entrada em vigor da nova lei, continuam valendo os seguintes limites:

• R$ 81 mil para o MEI
• R$ 360 mil para microempresa
• R$ 4,8 milhões para empresa de pequeno porte
• R$ 3,6 milhões como sublimite de ICMS e ISS em 2026

A Imposto no Bolso acompanha o faturamento de pequenos negócios, identifica riscos de desenquadramento e compara os cenários tributários antes que o excesso do limite se transforme em cobrança retroativa.

Está próximo do teto do MEI ou do Simples Nacional? Fale com a Imposto no Bolso e planeje o próximo enquadramento com base nos números reais da sua empresa.

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